quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Concurso Nacional de Leitura 2018-2019

No dia 12 de dezembro, pelas 15 horas, na Biblioteca Escolar, vai decorrer a fase de escola do Concurso Nacional de Leitura.

Relembramos que as obras selecionadas são:

- 2.º ciclo: Missão Impossível de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
- 3.º ciclo: conto "Nero" de Os Bichos de Miguel Torga



Boas leituras!

quinta-feira, 25 de outubro de 2018



MENSAGEM DA COORDENADORA DA RBE

Outubro, mês dedicado às bibliotecas escolares incentiva-nos ao reforço desta REDE e à reflexão sobre o lugar da biblioteca naquele que é o processo de formação da criança e do jovem.

Suportados no valor do saber e da aprendizagem procuramos conciliar respostas ajustadas aos desafios mais gerais da educação, perseguindo os nossos propósitos de sempre: atender aos diferentes perfis dos nossos alunos com respostas adequadas às suas necessidades individuais.

Colaboração, inovação, inclusão, … algumas das marcas que têm acompanhado o desenvolvimento da RBE e que vão ao encontro das medidas educativas ministeriais preconizadas para este ano. Para as bibliotecas escolares é a oportunidade de reforçar a sua intervenção, participando ativamente neste desígnio e estreitando o trabalho colaborativo entre a biblioteca e os docentes das diferentes áreas curriculares, contribuindo para a flexibilidade das aprendizagens. 

Igualmente, a multiplicidade de saberes e competências e o carácter mais humanista da formação do aluno, previsto no Perfil dos alunos no final da escolaridade obrigatória têm, na biblioteca, um suporte e um apoio indispensáveis.

A relação privilegiada, de proximidade, que desenvolvemos nesta REDE, permitirá continuarmos a encontrar as melhores respostas aos múltiplos desafios que, permanentemente, nos confrontam.

Nesse sentido, o desenvolvimento da RBE tem tido como pilar estruturante o lançamento anual de diferentes candidaturas que amplificam as possibilidades das bibliotecas adequarem os projetos à sua realidade ao mesmo tempo que proporcionam percursos inovadores diversificados.

Para uma efetiva conjugação de esforços entre todos destacámos, este ano, um conjunto de áreas prioritárias que nos parecem essenciais para consolidar o nosso trabalho.
(...)

Aos coordenadores interconcelhios, professores bibliotecários, docentes das equipas das bibliotecas escolares, assistentes operacionais e alunos, desejo que a celebração em torno do Mês Internacional das Bibliotecas Escolares se traduza num ano inteiro de boas experiências!
Votos de bom trabalho!
Manuela Pargana Silva


segunda-feira, 24 de setembro de 2018



A BIBLIOTECA ESCOLAR DESEJA A TODOS OS ALUNOS, DOCENTES E FUNCIONÁRIOS UM EXCELENTE ANO LETIVO CHEIO DE LEITURAS!!!


Aqui fica um belo poema de José Jorge Letria:

Apetece chamar-lhes irmãos,
tê-los ao colo, afagá-los de par em par, 
ver o Pinóquio a rir
e o D. Quixote a sonhar,
e a Alice do outro lado
do espelho a inventar
um mundo de assombros
que dá gosto visitar.
Apetece chamar-lhes irmãos
e deixar brilhar os olhos
nas páginas das suas mãos.

terça-feira, 22 de maio de 2018

No dia 15 de maio, decorreram, na Biblioteca Escolar da EB 2,3 de Taveiro, duas representações de teatro para o 2.º ciclo. Assim, de manhã, pelas 10 h 20 min, os alunos das duas turmas do 5.º ano assistiram à peça O Príncipe Nabo, baseada na obra com o mesmo título, da escritora Ilse Losa. De tarde, foi a vez de os alunos do 6.º ano terem assistido à representação baseada na obra Ali Babá e os Quarenta Ladrões (texto com adaptação de Luc Lefort). As duas obras fazem parte das Metas Curriculares de Português do Ensino Básico e do Plano Nacional de Leitura.
Os alunos adoraram cada momento e, no final, colocaram algumas questões sobre o trabalho dos atores.


terça-feira, 24 de abril de 2018

"É Divertido Resolver Problemas"

Nos dias 9 e 10 de abril, a Dra. Joana Teles, do Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra deslocou-se à Escola Básica 2,3 de Taveiro para realizar, em todas as turmas do 5.º e do 6.º ano, uma sessão intitulada “É Divertido Resolver Problemas”. Esta atividade teve como objetivo incentivar o gosto pela disciplina de Matemática.
A partir da proposta e resolução de alguns problemas habituais em provas de Olimpíadas, a professora apresentou técnicas usuais facilitadoras na resolução de exercícios/problemas.

Os alunos mostraram-se bastante agradados com a dinâmica criada durante a sessão e corresponderam muito bem à iniciativa, participando ativamente na resolução dos desafios propostos. E assim, desfrutaram de momentos repletos de vivências matemáticas enriquecedoras.










terça-feira, 13 de março de 2018

Plasticologia Marinha na EB23 de Taveiro!



A Biblioteca Escolar da EB 2,3 de Taveiro, em articulação com as docentes de Ciências e o Oceanário, recebeu, nos dias 19 e 20 de fevereiro, a bióloga Isabel Nabais que veio realizar, com todas as turmas do 2.º ciclo, várias sessões práticas sobre “Plasticologia Marinha”.
Através do visionamento de vídeos, a concretização de experiências práticas, a partilha de opiniões, a Dra. Isabel Nabais conseguiu que os alunos tomassem consciência da necessidade de mudar de atitudes relativamente ao uso de plásticos de forma descontrolada e do seu impacto negativo no planeta e no Homem. Por esta razão, é importante que os nossos alunos sensibilizem também os colegas, pais e familiares sobre a problemática do plástico nos oceanos, visto que agora possuem algumas ferramentas que devem divulgar, alertando, principalmente, para a urgência de alteração de comportamentos.
Os alunos demonstraram interesse e também se divertiram! 















sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Para Relembrar o Holocausto (dia 27 de janeiro)

Para relembrar o Holocausto (dia 27 de janeiro), a Biblioteca Escolar da EB 2,3 de Taveiro, em articulação com o Clube Europeu, realizou um mural e uma exposição de fundo documental.

 A Professora Bibliotecária foi a algumas salas falar com os alunos sobre o assunto e referir algumas obras que existem na BE e que podem ser requisitadas. A motivação por parte da docente de Português Leonor Negrão, do 2.º ciclo, foi importante, levando os alunos a requisitar todos os exemplares do livro “O rapaz do pijama às riscas”, de John Boyne!

Ao longo dessa semana, em articulação com o Plano Nacional de Cinema (PNC), foi ainda visionado o filme de Mark Herman baseado na obra referida, e os alunos do 5.º e do 6.º ano tiveram oportunidade de ver o também belíssimo filme “A vida é bela”, de Roberto Benigni.










quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

"Acontece em Coimbra Oeste" - Novembro de 2017




No dia 14 de novembro de 2017, os alunos dos 3.º e 4.º anos das Escolas Básicas do 1.º Ciclo de Ameal, Arzila e Taveiro participaram numa atividade inserida no projeto Acontece em Coimbra Oeste, em parceria com a Biblioteca Escolar da EB 2, 3 de Taveiro, o PNC e “Clássicos em Rede”. Na mesma atividade, participaram também os alunos dos mesmos anos da Escola Básica do 1.º Ciclo de Casais do Campo, no dia 21 do mesmo mês.
Dado o dia 4 de novembro ter sido o Dia Mundial do Cinema, a sessão começou com essa menção e o visionamento do primeiro filme mundial, L’Arrivée d’un Train à La Ciotat, dos irmãos Lumière, de 28 de dezembro de 1895, apresentado no salão Grand Café, em Paris. Os alunos ficaram ainda a saber que, nessa mesma ocasião, os Lumière fizeram a apresentação pública do seu invento ao qual chamaram Cinematógrafo e que um filme é uma história contada através de uma sucessão de imagens em movimento, o qual é ilusório.
Sempre na perspetiva de que todos têm uma história, uma origem, uma cultura, foi destacado o papel da Grécia e da sua cultura. Assim, visualizaram excertos de um filme sobre o Minotauro e o labirinto de Creta, a fim de os sensibilizar para a Cultura Clássica e de lhes demonstrar que os Gregos foram um povo politeísta para quem os mitos serviram como forma de explicação de vários fenómenos. Conheceram, igualmente, exemplos do mito apresentado, existentes na atualidade e representados em várias artes, nomeadamente na cerâmica, na escultura e na pintura. De seguida, desenharam o Minotauro.
Mais tarde, foi destacado o Dia Internacional dos Direitos das Crianças (20 de novembro), tendo sido feita a distinção entre direito e desejo bem como a referência a vários direitos, por exemplo, casa digna (artigo 27), oportunidades de poder exercer a própria cultura, língua e religião (artigo 31), ar puro (artigo 24), proteção contra abuso e negligência (artigo 19), alimentação saudável e nutritiva (artigo 24), água potável (artigo 24), oportunidade para partilhar as suas opiniões (artigo 12), cuidados de saúde (artigo 24), tratamento justo e não discriminativo (artigo 2), educação (artigos 28, 29) e brincar (artigo 30). Neste âmbito, os alunos escreveram os seus direitos numa figura infantil, representando os meninos e as meninas das respetivas turmas. Com essas figuras, foi feita, em dezembro, uma instalação designada “A Árvore dos Direitos”, na BE da EB 2,3.

Por fim, foi feita a avaliação da sessão.








Viajar por Países e Culturas

Ainda em outubro, Mês Internacional da Biblioteca Escolar (MIBE), as turmas do 5.º Ano realizaram uma atividade sobre países e respectivas culturas, em articulação com a disciplina de Educação Musical, a partir do livro Volta ao Mundo em 40 Canções. Os Países e as Suas Canções, de Luís Matos e Fernando Paulo Gomes, com ilustração de Inês Prata.

Assim, o tema “Ligando Comunidades e Culturas” serviu de mote para o canto e encanto dos alunos e professores envolvidos.

(imagem retirada da Internet)




"Ligando Comunidades e Culturas" - BE, Ambiente e PNC

No âmbito do Mês Internacional da Biblioteca Escolar (MIBE), no dia 23 de outubro de 2017, Dia da Biblioteca Escolar em Portugal, as turmas G e H do 6.º Ano, da EB 2,3 de Taveiro, participaram, na BE, numa atividade baseada no documentário Com Quase Nada (2000), de Margarida Cardoso e Carlos Barroco. Relembre-se que o tema deste ano era “Ligando Comunidades e Culturas” e toda a dinâmica foi encetada pelo PNC do AECO e pela Biblioteca Escolar – com o tema “Ligando Comunidades e Culturas” (tema definido pela International Association of School Librarianship - IASL), com destaque para a questão do ambiente (sensibilização, alerta e preservação); tendo em consideração a articulação com o PES (sensibilizando para a multiculturalidade, a dignidade humana e os direitos humanos), a Educação Cívica (a educação para a cidadania), o Projeto EducOcean  (a sustentabilidade do planeta) e o Projeto EcoMuseu (o ambiente).
A atividade tinha como objetivos gerais divulgar um documentário marcante e ilustrativo das desigualdades sociais e estabelecer elos de ligação entre a Escola, a Biblioteca Escolar e a comunidade educativa. Quanto aos objetivos específicos, eram os seguintes: revelar sensibilidade para a reciclagem e para a gestão sustentável de recursos no nosso planeta, conhecer exemplos atuais das desigualdades sociais, reconhecer como cada comunidade tem a sua cultura, conhecer algumas características da vida das crianças de Cabo Verde, planificar a construção de brinquedos com materiais recicláveis, dialogar sobre o documentário e sobre a sessão em casa, com a família; posteriormente, reaproveitar desperdícios, criar brinquedos com materiais recicláveis, participar numa atividade de trabalho colaborativo a divulgar à comunidade educativa.
Partindo da leitura expressiva de três poemas (“O Meu Amigo Cigano”, “O Meu Amigo Timor”, “O Meu Amigo Cabo-Verdiano”, retirados de Amigos em Todo o Mundo, de Leonel Neves) e exploração temática dos mesmos, os alunos visualizaram excertos de Com Quase Nada, ouviram falar sobre os realizadores e foi-lhes apresentada a localização geográfica dos países envolvidos nos textos poéticos e no filme. Com este, assistiram a uma imagem da infância vivida em Cabo Verde, procurando promover um olhar atento e curioso em torno dos brinquedos que as crianças cabo-verdianas criam com poucos meios e com as próprias mãos. Depois, foi tempo de debate sobre a diversidade cultural e o desperdício dos desperdícios. E o desafio foi-lhes lançado: planificarem e construírem brinquedos a partir de materiais usados, vulgarmente, conhecidos como desperdícios ou lixo. Souberam também da existência de vários livros existentes na BE (e em exposição) sobre como criar, reciclando.
Saliente-se que houve também tempo para o visionamento de Crianças Invisíveis Bilú e João, seguido de exploração temática.
Na semana seguinte, houve oportunidade de esclarecer algumas dúvidas e de continuar a discussão sobre comunidades e culturas, reciclagem e gestão sustentável de recursos na Terra.
Relativamente à exposição dos brinquedos construídos, esta ocorrerá no mês de janeiro, na BE.
Considerando as criações artísticas já entregues na BE, os alunos aprenderam e apreenderam a importância do respeito pelo Outro, pela diversidade e pelo ambiente. O planeta agradece e todos nós também!




sábado, 9 de dezembro de 2017

"Há Poesia na Escola"

"Há Poesia na Escola",
Vamos, então, participar;
O tema do concurso é livre,
Basta só imaginar...

Soltam-se as palavras,
Conhecem-se novos autores,
O prazo é 23 de fevereiro,
As letras parecerão flores!






Mais uma vez (a nona), a REDE CONCELHIA DE BIBLIOTECAS DE COIMBRA (constituída pela BMC e as escolas do concelho de Coimbra integradas na RBE), promovem um Desafio de Poesia designado “HÁ POESIA NA ESCOLA” com o objetivo de dinamizar os hábitos de leitura e de escrita e estimular o gosto pela poesia entre os alunos dos diferentes ciclos de ensino.

Para ler o regulamento, clique aqui

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Concurso "Conto de Natal"


Olá!

Está atualmente a decorrer o concurso "Vamos Viver o Natal", promovido pelo Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares (SABE) e Casa Municipal da Cultura de Coimbra. Os alunos são convidados a realizar uma ilustração baseada na leitura de um conto de Natal. A professora bibliotecária já realizou a leitura de um pequeno conto intitulado "Presépio" de D. João da Câmara nas turmas dos 5.º e 7.º anos.
Todos podem participar, por isso fica aqui disponível o texto. Claro que podem selecionar outro conto de Natal. Não se esqueçam que, este ano letivo, o regulamento refere que as figuras do presépio devem ser privilegiadas.


Participem!

Conto de Natal  
O PRESÉPIO   
    Havia quase um ano que estava na loja, mercearia num bairro escuro, em
que mal entrava de esguelha, como espreitando a medo, um raio de sol, entre as casarias muito altas da rua tortuosa.
   Com doze anos, que saudades tinha da aldeia, da família, dos antigos
companheiros de escola, dos cães amigos que ladravam de noite a vigiar a
casa!
   Tudo lá tão longe! Ah! Se ele soubesse!…
   Pois nem uma lágrima lhe viera anuviar o último adeus, quando a diligência dera volta na estrada e ele vira sumirem-se os choupos da ribeira e o lenço que mão saudosa sacudia no alto do cabeço.
   É que o deslumbrava a ideia de Lisboa, de que tantas maravilhas grandes
lhe contavam. Ainda agora partia, e já se via de volta na aldeia, de relógio e
cadeia de ouro, a falar de alto, a puxar o bigode, a dar enchente, como o
Januário, que lhe arranjara o lugar.
   Com o seu examezinho de instrução primária, marçano de uma tenda…
Não, que os pais não o queriam para cavador. Tinham sido consultados o mestre-escola, o prior, o senhor Freitas, lavrador muito importante que arrastava tudo nas eleições, o Custódio, velhote de muito bom conselho, e todos se tinham mostrado de acordo: não havia como Lisboa para fazer um homem. Era ver o Januário que tinha casado com a viúva do patrão. A loja era de um cunhado dele, bom homem, áspero mas bom homem. Os olhos baixos do Manuelzito, fitos no chão, viam no tijolo resplandecer auréolas, que giravam como o fogo de vistas pelas festas.
   Ali estava, havia quase um ano; e, no desvão da escada, onde às dez horas o mandavam deitar, a morrer de calor no Verão, no Inverno a morrer de frio, punha-se a rever os campos e a casa deixados sem as lágrimas, que lhe corriam agora em grossos fios pelas faces.
   Os primeiros dias tinham passado muito lentos. A conselho do Januário, um biscoito ou outro da mão papuda e oleosa do merceeiro tinham-no ajudado na tarefa. Assim é que ele havia de ser homem, um dia. Mas o patrão mostrava maior pressa. Pai, mãe e mestre-escola nunca lhe tinham batido. Atreveu-se uma vez a declará-lo. Foi pior.
   Chegou o Verão. As festas de São João e São Pedro aumentaram-lhe a tristeza. Reviu nesses dias mais intensamente a alegria da aldeia, os bailes à noite em volta da fogueira, a ida à fonte pela manhã, o sino a tocar à missa, e ele a pensar que, quando fosse crescido, havia de ter uma namorada por quem queimasse uma alcachofra, a quem cantasse umas quadras falando de estrelas e de flores. A bulha nas ruas, nessas noites, não o deixara dormir. Cada bomba era uma pancada no coração. Um sol-e-dó que passou tocando arrancou-lhe lágrimas de imensa saudade.
   Pelos Santos, com a melancolia do tempo, ainda foi pior. Depois veio o Inverno, começaram os dias de chuva. O mau tempo irritava o patrão, porque lhe afugentava fregueses. Na loja, com recantos muito negros, acendiam-se muito cedo os candeeiros, e o Manuelzito tinha pena da sombra em que se acolhia com maior amor. Pasmava os olhos, fugia com o pensamento para muito longe.
— Acorda, ralaço! — gritava-lhe o patrão.
   Estava a chegar o Natal. Que lindo era o Natal lá na aldeia!
   Andavam na rua a abrir um cano; quase ninguém ali passava; os passeios
eram cheios de lama. O patrão andava furioso. Então o pequeno teve uma ideia. Lembrou-se de fazer muito misteriosamente um presépio. O segredo em que havia de trabalhar mais o animava na tarefa.
   Todos os dias, muito a medo, enquanto o patrão almoçava ou saía da loja
algum instante, vinha à porta, se não havia freguês a servir, espreitava, corria, apanhava um nadinha de barro nas escavações do cano. Escondia-o, e debaixo do balcão, quase às apalpadelas, ia fazendo as figurinhas. Assim modelou o menino Jesus, que deitou num berço de caixa de fósforos, Nossa Senhora de mãos postas, São José de grandes barbas, os três Reis Magos a cavalo, e os pastores, um a tocar gaita de foles, outro com um cordeirinho às costas, e uma mulher com uma bilha. Não se pareceriam lá muito; mas ele deu provas de que sabia puxar pela imaginação.
   Sempre lhe faltava alguma coisa. Havia problemas difíceis de resolver.
Um dia, engraxando as botas do patrão, lembrou-se de engraxar um dos
reis, e pôs-lhe depois umas bolinhas brancas, de papel a fingir os olhos.
Aos anjos fez asas com as penas de uma galinha que depenou para um
jantar de festa que não comeu. Moeu vidro para fingir as águas do rio, e no
papel de embrulho recortou um moinho que só havia de armar à última hora.
   Levou nisso parte de Novembro e Dezembro todo, até ao Natal. Escondia os materiais debaixo da enxerga e, de vez em quando, revia-se na
obra. O que mais o encantava era o menino Jesus, com a cabeça do tamanho de um grão de milho, com buraquinhos a fingirem olhos, ouvidos, nariz e boca. Tinha mãos com cinco dedos riscados a canivete e dois pezinhos que ele achava um encanto. Com tiras de papel azul havia de fazer o céu e, como o não tinha dourado onde recortasse a estrela, fez em papel branco uma meia-lua; vinha quase a dar na mesma. Aquele mês passou correndo.
   Era a véspera do Natal. As dez e meia, o patrão mandou-o deitar e saiu.
Que alegria estar só! Não lhe deixavam luz; mas que importava? Às escuras armaria o presépio.
   E logo começou. Enrolou o moinho, pôs-lhe as velas; esticou o papel azul que fingia o céu e pregou nele com um alfinete a meia-lua; espalhou o vidro moído, num S em volta das palhas; dispôs as figurinhas, suspendeu os anjos. Depois fez uma carreira de fósforos de cera, que todos se tinham de acender ao mesmo tempo, num deslumbramento, quando desse meia-noite.
   Deram onze e três quartos. Ajoelhou.
   Batia-lhe o coração, que lhe parecia que deviam de ser milagrosas as
figurinhas, que delas lhe viria algum bem, consolação da sua vida triste.
Que seria quando ele iluminasse o desvão da escada e os santinhos se
pusessem todos a luzir quase tanto como os verdadeiros? Rezava-lhes…
Rezava-lhes… Àquela hora, lá na aldeia, tocavam os sinos alegres e iam
ranchos contentes a caminho da igreja. Lá dentro reluzia o trono, e o sacristão muito atarefado ia, vinha…
   Meia-noite! Acendeu os fósforos e ficou embasbacado! Nunca assim vira coisa tão perfeita. Os anjos voavam deveras, os cavalos dos reis galopavam, o rio corria, as velas giravam no moinho e os pontinhos do Menino Jesus sorriam-lhe no rosto a São José e a Nossa Senhora!
Pôs-se a cantar, como lá na aldeia:
Andava nessas campinas,
Esta noite, um querubim.
   Tão enlevado cantava, que nem ouviu o patrão abrir a porta, entrar na loja, chegar ao desvão. Acordou-o do êxtase um pontapé.
— Isso… Agora larga-me fogo à escada!… Varre-me já esse lixo!
E ele, a chorar, levantou-se, foi buscar a vassoura.
O bruto continuava aos pontapés.
— Vá?… Vá!
   Mas quando se deitou, encontrou na enxerga uma figurinha. Apalpou-a,
conheceu-a logo: era a do Menino Jesus. Beijou-a muito. Pior vida levara do que ele…Sentiu de repente um dó muito grande do patrão, que não vira nada, nem que era tão bonito aquele Menino, com um olhar tão meigo nos seus olhinhos picados.

D. João da Câmara

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Novos Desafios

Olá!
Neste primeiro período, há novos desafios! Passa na Biblioteca Escolar! Não queiras ser o(a) último(a) a saber e a concorrer!

Eis alguns:
  • Maratona de Cartas 2017
Decorre durante o último trimestre de cada ano, altura em que se assinala o Dia Internacional dos Direitos Humanos, a 10 de dezembro. Milhões de pessoas em todo o mundo assinam e enviam cartas em prol de pessoas e comunidades em risco.
  • Clássicos em Rede
Atividades para alunos dos ensinos básico e secundário, com o objetivo de aumentar os seus conhecimentos sobre a Cultura Clássica e, sobretudo, levá-los a descobrir a sua presença na atualidade: na língua e etimologia, na herança patrimonial, nos modelos estéticos e na arte, no imaginário coletivo, no ideário que está na base das nossas sociedades e em tantas outras áreas.



  • Há Poesia na Escola
Tema livre. Concurso destinado a todos os ciclos de ensino. Decorre até 23 de fevereiro de 2018.







segunda-feira, 11 de julho de 2016

Férias

Mais um ano letivo chegou ao fim! Esperamos por ti em setembro!

Até lá, diverte-te muito e aproveita para pores a leitura em dia.


Votos de ótimas leituras!
(imagem retirada da Internet)

domingo, 10 de julho de 2016

A BE e o Clube Europeu

Ao longo do ano letivo de 2015-2016, o Clube Europeu funcionou nas instalações físicas da Biblioteca Escolar. Este Clube foi dinamizado pelas professoras Leonor Negrão e Célia Mafalda Oliveira. Participaram nele alunos do 4.ºTAV e três alunas do 6.ºE. Viajaram por toda a Europa, conheceram a lenda que explica a sua origem e outras representativas de outros países. A partir de abril, foram sujeitos ativos num Projeto Europeu de eTwinning, intitulado Mother’s Day Celebration in Europe (Celebração do Dia da Mãe na Europa).


O projeto foi uma oportunidade educacional de aprender sobre a tradição europeia (celebração do Dia da Mãe), sem esquecer a era digital e as oportunidades de leitura. Seguindo a máxima KISS (Keep It Short and Simple), os alunos foram sujeitos ativos (re)construtores de ideias, características e conhecimentos a partilhar, de forma colaborativa, com colegas europeus, sob orientação de docente(s). Acredita-se que tenha contribuído para a valorização de valores essenciais para uma cidadania responsável, cuja transmissão se continua a fazer de geração em geração. Foi uma mais-valia para o incentivo à utilização das TIC. Visto englobar alunos desde os 3 aos 13 anos, pretendeu-se a valorização da partilha e da interajuda ainda que os alunos tenham aprendizagens/ritmos diferentes. Assim, o eTwinning contribuiu para a participação, fomentando autoestima e competências capazes de desenvolverem a autoautoconfiança necessária para enfrentar desafios, tendo como companheiros outras crianças / adolescentes e professores.
A docente proponente foi Célia Mafalda Oliveira (Agrupamento de Escolas Coimbra Oeste – EB 2,3 de Taveiro, Coimbra, Portugal) que teve como parceira estrangeira dinamizadora Gabriela Bednárová (Šaľa, Eslováquia). A elas se juntaram outros parceiros, a saber, Leonor Negrão (Agrupamento de Escolas Coimbra Oeste – EB 2,3 de Taveiro, Coimbra, Portugal), Alice Lexmaulová (Čechy pod Kosířem, República Checa), Ivana Bašić (Opuzen, Croácia), Katarzyna Andrychowska (Warszawa, Polónia), Magdalena Wyrzyk (Węgrów, Polónia), Maria Zappatore (Foggia (FG), Itália), Tümay Alumert (Ardeşen, Turquia), Zuzana Kunáková (Šaľa, Eslováquia). No caso dos alunos de Taveiro, também foi muito importante a ajuda da professora titular do 4.ºTAV, Joana Pancas.
Quanto aos alunos portugueses, para além de terem partilhado vivências e opiniões, terem visualizado os trabalhos feitos pelos colegas europeus, construíram uma flor e um postal ilustrado, que ofereceram às mães no “Serão de Leituras” (dinamizado pela Biblioteca Escolar da EB 2,3 de Taveiro, no dia 29 de abril). Na última sessão, depois de mais um brainstorming e de diálogo/avaliação sobre o projeto, desenharam o rosto das mães, tal como a veem, expressando o amor incondicional que lhes têm.





segunda-feira, 30 de maio de 2016

As Maias na EB 2,3 de Taveiro

As Maias/Portas Floridas - uma tradição com 32 anos - fazem com que escolas, particulares e coletividades da freguesia, se envolvam na apanha de flores e enfeitem as suas portas. Reza a tradição que, na noite do 1.º de maio, os rapazes percorriam montes e campos na busca da flor das giestas (as maias) e sabugueiro para comporem enfeites e confeites, acrescidos de versos, que colocavam à porta da namorada ou da pessoa apaixonada.

A nossa escola também participa sempre. Neste ano, o desenho vencedor foi o da aluna Ana Rita Gaspar, do 6.ºD. 





As Maias na EB 1 de Taveiro:



As Maias em Taveiro: